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Ultima Thule, a última fronteira
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Ilustração de Ultima Thule.
Nasa/JHAPL/SwRI

 

Neste último post de 2018, que tal saber do primeiro evento de 2019? O ano de 2019 promete bastante, principalmente no que se refere à Lua, mas o primeiro evento se dará muito mais longe, no Cinturão de Kuiper.

Lançada no início de 2006, a sonda americana New Horizons tinha como objetivo estudar o planeta Plutão, o mais longínquo do Sistema Solar. Só que sete meses depois do seu lançamento, Plutão mudou de categoria e passou a ser considerado um planeta anão. Restou à New Horizons a missão de visitar um planeta anão pela primeira vez em julho de 2014.

Mesmo antes de a sonda passar por Plutão, o time de astrônomos de sua missão já estava pensando no que fazer com a nave depois desse evento, afinal, com um investimento de mais de 700 milhões de dólares, aumentar o retorno científico da nave seria excelente para a Nasa. Mas o que observar depois de passar por Plutão? Só poderia ser um objeto do Cinturão de Kuiper (KBO, na sigla em inglês), o reservatório de cometas do Sistema Solar.

Na rota de Plutão, não havia nada conhecido, e então um grande esforço observacional foi iniciado para se localizar um segundo alvo para a New Horizons. Coube ao telescópio espacial Hubble descobrir o objeto 2014 MU69, um candidato bem adequado. Só que apenas descobrir um novo alvo não seria suficiente, pois a nave precisa corrigir sua trajetória para interceptá-lo e, para fazer isso, é preciso conhecer a órbita de MU69 em detalhes.

O KBO acabou ganhando o apelido de Ultima Thule, que significa algo como 'o norte mais distante' e algumas vezes é associado com a Groenlândia. Sua caracterização sugere que ele tenha por volta de 30 km de comprimento e seja composto majoritariamente de gelo, como seus colegas de cinturão. Com base nos dados orbitais de Ultima, os engenheiros da missão efetuaram pequenas correções na trajetória da nave de modo que ela deve interceptar o alvo na virada de 2019.

Além de seu tamanho, observações feitas na Patagônia argentina no meio do ano passado revelaram que Ultima tem dois bojos bem pronunciados ligados por uma estreita ponte, como um peso de academia. Pode até ser que nem exista essa ligação e esse KBO é na realidade um objeto duplo, com cada bojo em contato um com o outro. Outro fato intrigante é que o brilho de Ultima varia menos de 20%, o que é um sinal de que ele não deve ter rotação apreciável. E os KBOs que sofrem colisões frequentemente costumam ter rotação bem pronunciada.

A New Horizons deve fazer seu sobrevoo às 03h33min da madrugada (horário de Brasília) do dia primeiro de janeiro de 2019, mas devido à distância entre a nave e a Terra, só vamos saber se tudo está bem depois das 09h30min. Os sinais de rádio da nave levam por volta de 6 horas para chegar aos controles da missão. Ainda assim não deve ser nada além de um 'ping' de rádio que tem o objetivo de informar que os sistemas estão funcionando. Não temos nenhuma ideia se há detritos no caminho até Ultima, ou mesmo se esse KBO tem anéis ou mesmo pequenos satélites.

Chocar-se com algo do tipo no espaço seria fatal para a missão, pois a nave viaja a uma velocidade de 14 km/s! Em linha reta, a essa velocidade, levaria apenas 5 minutos para viajar do Oiapoque, no extremo norte do Brasil, até o Chuí, no extremo sul. Foi assim também quando a New Horizons se aproximou de Plutão. Em ambos os casos o time de análise de riscos passou mais de uma semana estudando mapas de radar procurando por objetos potencialmente perigosos, mas não encontrou nada de relevante.

A sonda deve passar a uma distância de 3.000 km de Ultima Thule, bem menos do que a distância que passou de Plutão (15 mil km), e nessa situação as câmeras poderão distinguir um objeto com aproximadamente 30 metros de extensão. Isso é mais ou menos como estar em Rio Branco no Acre e conseguir tirar uma foto do Cristo Redentor (sem o pedestal) no Rio de Janeiro. Isso na teoria, pois os desafios práticos são muito grandes.

Em primeiro lugar a velocidade em relação ao KBO, a 14 km/s a sonda percorre toda a extensão do alvo em apenas 2 segundos. Para as fotos não saírem borradas, a exposição precisa ser curta. Só que na distância em que haverá o sobrevoo, a quantidade de luz é ainda menor do que havia em Plutão, que poderia ser compensada com uma exposição maior. Mas...

Outro problema é a idade. A sonda foi projetada para estar no seu auge ao passar por Plutão, e isso foi há quase 5 anos. Além da deterioração dos equipamentos por causa da exposição à radiação cósmica, a bateria nuclear da New Horizons já não está gerando energia de forma tão eficiente como antes, e para tirar o máximo de informações durante o curto encontro, todos os instrumentos estarão em operação. As simulações em Terra mostram que a nave vai aguentar, então vamos torcer. Depois de passar por Ultima, a sonda ainda deve estudar outros 21 KBOs na região, mas tudo feito à distância, e não haverá sobrevoo em nenhum deles.

A transmissão dos dados deve começar apenas na tarde do dia primeiro, e a primeira imagem deve ser apresentada na coletiva de imprensa apenas no dia 02, mas o download deve durar até setembro de 2020!

Por falar em simulação, a Nasa disponibilizou um programa que permite simular o sobrevoo da New Horizons em Ultima Thule. Esse filminho mostra a aproximação final ao KBO e vai até quando a nave vira sua antena principal para a Terra para iniciar a transmissão dos dados.

 

Fonte: Cássio Barbosa, G1

 
 
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